Era a semana do Halloween, e eu ainda tinha o corpo cansado do dia mais longo do ano. Reunião atrás de reunião, loja cheia, o celular não parava. Tomei banho demorado, vesti uma camisola leve e me joguei na cama. Na mesa de cabeceira, a abóbora pequena que a gente tinha decorado piscava com a luz da vela. Parecia uma noite normal.

Marcos saiu do banho, deitou ao meu lado e passou a mão no meu cabelo.

— Você tá tensa. Quer uma massagem?

Eu ia dizer que não precisava, mas meu ombro doía tanto que só consegui rir.

— Quero.

— Então vira de bruços. Hoje eu cuido de você.

Ele se levantou e voltou com um frasco de óleo de massagem. Antes de abrir, pegou uma venda de cetim.

— Fecha os olhos pra mim.

Senti o tecido frio e macio cobrir meu rosto, e o quarto sumiu. Fiquei só com o som da respiração dele e o colchão afundando quando ele subiu na cama.

— Quando você não vê, o resto do corpo acorda — ele sussurrou.

Ouvi o frasco abrir, e o perfume tomou o ambiente de um jeito que eu nunca tinha sentido: baunilha quente, um fundo de bergamota, uma doçura escura que parecia feita para aquela noite. Inspirei fundo sem perceber, e meu peito se encheu daquele cheiro.

O óleo morno caiu nas minhas costas, e eu soltei um suspiro. As mãos dele espalharam tudo devagar, com firmeza, e começaram pelos ombros, onde estava o nó. Ele apertou, e a dor virou alívio, e o alívio virou um arrepio que desceu pela coluna. Meus músculos foram cedendo um a um. A respiração, que estava curta e apressada, ficou lenta e profunda.

As mãos desceram pelas minhas costas, contornaram a cintura e subiram de novo. O cheiro do óleo ia ficando mais forte com o calor da pele, e eu comecei a notar que não era só relaxamento. Havia uma pressão baixa, doce, se formando no meu ventre, e minha pele estava mais sensível a cada passada. Eu sentia cada dedo dele separadamente.

Ele massageou meus braços, as laterais do corpo, a parte de trás das coxas. Eu já não conseguia manter o quadril parado, e ele percebeu. Sorriu, eu ouvi no ar.

Então as mãos chegaram às minhas nádegas.

Ele as apertou com as palmas cheias de óleo, abrindo e fechando num movimento lento, e eu prendi o ar. Um calor subiu entre as minhas pernas, e minha respiração começou a falhar. Os gemidos escapavam baixinhos, sem eu decidir. Eu me sentia molhada, pulsando, o corpo inteiro pedindo mais. Ele me apertava, subia e descia, e a cada vez eu empurrava o quadril contra as mãos dele, sem vergonha nenhuma.

Ele se inclinou sobre mim. Senti o peito dele nas minhas costas, o hálito quente no meu pescoço, e então a boca no meu ouvido, os dentes puxando de leve o lóbulo da orelha, ele pressionou o pau duro dele em mim. Eu estremeci inteira.

— Agora vira de frente — ele sussurrou. — Quero te ver inteira.

Virei de olhos vendados, o coração batendo na garganta. Sem enxergar, eu sentia tudo mais forte: o ar na pele nua, o perfume, a expectativa. O óleo caiu no meu colo, escorreu entre os seios, e as mãos dele vieram atrás. Ele os massageou devagar, com as palmas, depois com a ponta dos dedos, circulando os mamilos até eles ficarem duros e sensíveis. Cada toque mandava uma faísca direto para o meio das minhas pernas. Arqueei as costas e gemi mais alto, sem controle.

— Fala pra mim o que você tá sentindo — ele pediu.

— Tesão... — foi só o que consegui dizer. — Muito.

Uma das mãos dele desceu pela minha barriga, escorregadia, e parou no meu quadril. Esperou, como se quisesse me fazer implorar. Abri as pernas sozinha. Então os dedos dele me tocaram, com óleo, quentes, escorregando com uma facilidade que me fez gritar baixinho. Ele me acariciou em círculos lentos, e depois mais rápido, e eu perdi o fio dos pensamentos. O corpo todo tremia, a respiração virou arfada, e as mãos agarravam o lençol.

Ele me beijou. A boca dele encontrou a minha com fome, e eu retribuí do mesmo jeito, a língua dele na minha, o gosto dele misturado ao cheiro de baunilha. Puxei o rosto dele para perto sem enxergar, achei o cabelo, as costas, os ombros.

Ouvi o frasco de novo. Ele passou óleo em si mesmo, e eu senti quando se deitou sobre mim, quente, escorregadio. A pele dele deslizava na minha, e cada movimento era uma onda. O peito dele roçava meus seios, o abdômen dele no meu, e o pênis duro encostado em mim, me provocando.

— Tira a venda — pedi. — Quero te olhar.

Ele tirou. A luz da vela estava dourada, o corpo dele brilhando e os olhos dele estavam escuros de desejo. Eu nunca tinha visto Marcos tão entregue.

Ele me penetrou devagar, sem pressa, e eu senti cada centímetro entrando, preenchendo, escorregando fundo por causa do óleo. Soltei um gemido longo, as unhas nas costas dele. A sensação de deslizar um no outro era tão macia e intensa que eu não sabia onde meu corpo terminava e o dele começava.

Ele começou a se mover, e a cada estocada o óleo fazia nossos corpos se encontrarem e se soltarem de um jeito que eu só conseguia sentir, não explicar. O cheiro doce, o calor, os sons molhados da pele, os gemidos dele no meu ouvido. Enrosquei as pernas na cintura dele para trazê-lo mais fundo, e ele gemeu meu nome, rouco.

O ritmo foi aumentando. O prazer subia em espirais, e eu sentia o ápice se aproximando, cada vez mais perto. Meu corpo apertava o dele sem eu mandar, as respirações se atropelavam, e eu cravei os dedos nos ombros dele.

— Marcos... eu vou...

— Eu também. Fica comigo.

O orgasmo me atravessou como um raio, da barriga para as pernas, para os braços, para a ponta dos dedos. Gritei contra o pescoço dele, tremendo sem parar, e senti quando ele se desfez junto comigo, num gemido fundo, o corpo todo tenso e depois mole sobre o meu.

Ficamos ali, escorregadios, ofegantes, o coração dele batendo contra o meu. A abóbora ainda piscava ao lado da cama.

— Feliz Halloween — ele sussurrou, rindo, e me beijou na testa.

Eu sorri de olhos fechados, sem nenhum músculo tenso, o corpo inteiro leve.

Aquele tinha sido o melhor "truque ou travessura" da minha vida.

 

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