Dezessete anos com o Rafael. Três filhos, rotina, amor — mas havia quanto tempo eu não tinha uma noite de verdade com ele? Passei semanas planejando. Pedi à sogra pra ficar com as crianças, reservei o melhor restaurante, comprei um vestido vermelho. E numa tarde sozinha em casa, comprei o que há muito adiava: um vibrador interno controlado por aplicativo. Abri a caixa com o coração acelerado. Estava louca pra testar.

 

Quando ele passou me buscar, eu já estava pronta — vestido vermelho, perfume, e o dispositivo posicionado por dentro, discreto, invisível. Só aquela presença já me deixava úmida antes de sair de casa. Entrei no carro tentando parecer normal enquanto por dentro eu fervia de antecipação.

 

No restaurante, luz baixa, velas, vinho. Conversamos, rimos, e eu ficava me perguntando se ele percebia que eu estava diferente — mais acesa, mais presente. Em certo momento peguei o celular e mandei um link pra ele sem nenhuma explicação. Ele baixou o app com a sobrancelha levantada. A tela mostrou controles de vibração e um dispositivo conectado. Ele ergueu os olhos devagar e me olhou. Eu sorri. O silêncio entre a gente durou três segundos — densos, quentes. Os olhos dele escureceram do jeito que eu conheço e que faz meu estômago revirar de cabeça pra baixo. Ele tocou na tela.

 

O primeiro pulso me atravessou inteira. Um calor imediato entre as pernas que mal consegui disfarçar. Esfreguei minha perna na dele por baixo da mesa, devagar, deliberado. Ele aumentou a intensidade. O pulso ficou mais forte, mais rítmico, e eu estava ficando cada vez mais molhada sem conseguir fazer nada a respeito. A cada modo novo que ele testava — ondas, espirais, pulsos — o calor se espalhava, o miolo do corpo latejava, a vontade de apertar as coxas era quase insuportável. Ele aprendia meu corpo em tempo real, diminuía quando eu me acomodava, aumentava quando eu relaxava, e aquilo era a coisa mais íntima que vivemos em anos.

 

De repente a onda veio forte demais. Senti que não ia segurar. Unhas nos próprios dedos, mordi o interior da bochecha, mas o corpo queria gritar e eu estava num restaurante cheio. Inclinei pra frente e apertei a mão dele na mesa com força: “Para. Por favor, para agora.” Ele parou imediatamente. Fechei os olhos por dois segundos, respirei. Quando abri, ele já chamava o garçom. “A conta.”

 

Saímos sem falar muito, mas minha mão estava na dele e eu apertava com uma força que dizia tudo. A porta do carro fechou e a gente se jogou um no outro — beijo faminto, mãos por todo lado, aquela urgência que a rotina tinha enterrado fundo. Ele arrancou em direção ao motel e eu estava excitada demais, molhada demais, pra ficar quieta. Me inclinei, abri o zíper dele e o peguei na boca — babado, guloso, com uma vontade que surpreendia até a mim. Ouvia a respiração dele engrossar, as mãos apertarem o volante, o carro reduzir em certas curvas porque ele precisava se concentrar pra não perder o controle. E eu me joguei  naquele pinto enorme, latejava na minha boca, eu toda molhada, virei de lado pra ela, enquanto chupava ele inteiro, ele ligou o vibrador, deixou ele vibrando no meu clitoris e enfiou dois dedos dentro de mim. GRITEI, e apertei bem forte a rola dele, subi e comecei a beija-lo intensamente, ele desviou o rosto pra conseguir enxergar a rua, comecei a chupar o pescoço dele, ele soltou um gemidinho, e voltei a me deliciar na rola dele.

 

Quando chegamos mal fechamos a porta. O vestido foi o primeiro a cair. Ele me deitou com firmeza e desceu com a boca pelo meu corpo inteiro até chegar onde eu pulsava — e quando a língua dele me tocou eu arqueei a coluna e agarrei o lençol com os dois punhos, gemendo sem nenhuma contenção.

 

Não aguentavamos mais esperar, ele só tirou a rola dele pra fora e entrou em mim, eu já estava tão molhada que deslizou de uma vez só, fundo, e eu soltei um gemido que veio lá de dentro. O corpo inteiro reconheceu aquilo, aquela sensação de estar preenchida, completa, DELE. A gente encontrou o ritmo que é só nosso, construído em mil noites. Cada movimento dele me fazia apertar mais por dentro, querer mais perto, mais fundo. Envolvi as pernas nele pra puxar e ele gemeu no meu ouvido, e aquilo me deixou ainda mais louca. Senti tudo — o peso dele, o calor, a fricção que eu sentia em cada centímetro de dentro.

 

Quando o orgasmo veio foi uma descarga que começou lá no fundo e tomou tudo. As coxas tremeram, a voz saiu sem permissão, as unhas foram nas costas dele sem querer. Me agarrei e deixei a maré levar inteira.

 

Depois fiquei com a cabeça no peito dele, ouvindo o coração desacelerar. Os dedos dele passeavam pelo meu cabelo sem pressa.

 

“Onde você comprou isso?” ele perguntou.

 

“Internet.”

 

“Cinco estrelas.”

 

Levantei o rosto pra olhar pra ele — aquele rosto que conheço mais do que qualquer outro, com as linhas novas que os anos deram. “Feliz aniversário, Rafael.” Ele me beijou na testa. “Feliz aniversário, Bela.”



 

Me aninhe de volta e fechei os olhos. Inteira. Minha. Nossa.


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