Lara tinha 27 anos e Pedro, 29. Moravam juntos havia pouco mais de um ano, num apartamento pequeno, cheio de plantas e com um sofá onde nunca conseguiam terminar um filme. Naquela sexta-feira chuvosa, a cidade lá fora estava barulhenta, mas dentro de casa só se ouvia a chuva batendo na janela e a música baixa que ele tinha colocado.
Pedro a esperou na porta do quarto com um sorriso que ela conhecia bem.
— Comprei uma coisa. Quer experimentar?
Ele mostrou um vibrador: roxo, elegante, com a cabeça flexível e macio. Lara arqueou a sobrancelha, curiosa e já sentindo o corpo esquentar.
— Quero.
— Então confia em mim. Se quiser parar, é só dizer "vermelho". A gente para na hora.
— Vermelho — ela repetiu, rindo. — Combinado.
Ele a beijou devagar, e Lara sentiu o tesão acumuladoda semana derreter na boca dele. Pedro a conduziu até a cama, tirou a blusa dela, depois o resto, com calma, olhando cada pedaço de pele que aparecia. Ela se deitou de costas, e ele pegou duas tiras macias de cetim.
— Posso?
Lara respondeu estendendo os pulsos. Ele os prendeu na cabeceira, sem apertar demais, só o suficiente para ela sentir que não podia se mover. Um arrepio subiu pelos braços dela. Era estranho como ficar presa a deixava mais desperta.
Pedro ligou a varinha. Ele encostou a cabeça macia no ombro dela, e Lara fechou os olhos.
A vibração era larga e profunda, e se espalhava como ondas debaixo da pele. Ele a deslizou devagar pelo pescoço, pela clavícula, pelo colo, e os músculos que ela nem sabia que estavam tensos foram se soltando. Ela soltou o ar num suspiro comprido.
— Gostoso? — ele perguntou.
— Muito...
Ele desceu a varinha pelos braços, pela lateral das costelas, e Lara se contorceu quando passou perto da cintura, onde tinha cócegas. Pedro riu baixinho e fez de novo, mais devagar, até a cócega virar outra coisa, um calor que se acumulava no baixo-ventre. Ele contornou os seios dela, sem tocar nos mamilos, só rodeando. Os bicos endureceram sozinhos, pedindo atenção, e ela arqueou o peito na direção da varinha.
— Pedro...
— Calma. Eu tenho a noite inteira.
A vibração desceu pela barriga, e ela sentiu a pele toda ficando sensível, cada centímetro mais desperto que o anterior. A respiração começou a mudar, mais curta, mais funda. A varinha passou pelos quadris, pela virilha, pela parte interna das coxas, e Lara abriu as pernas sem perceber. O corpo pedia, e ela não tentava mais esconder.
Quando a cabeça macia finalmente encostou nela, por cima da pele já úmida, Lara soltou um gemido alto que a surpreendeu.
A sensação era tão ampla e envolvente que ela não conseguia localizar onde começava. Era como se a vibração a tomasse por inteiro, do quadril às pernas, do ventre à nuca. Pedro mantinha a varinha firme, com uma pressão leve, e fazia círculos lentos. Cada vez que ele aumentava a intensidade, o corpo dela respondia sem permissão: o quadril subia, as coxas tremiam, e as mãos puxavam as tiras de cetim.
— Isso... assim...
Ele a observava, hipnotizado. O rosto dela, corado, a boca entreaberta, o peito subindo e descendo. Pedro sentia o próprio corpo latejar na calça, mas se obrigava a esperar. Ver Lara se desfazendo daquele jeito era o melhor que ele já tinha visto.
— Você é linda assim — ele murmurou.
Ela não conseguia responder. Os gemidos agora vinham em sequência, mais agudos, mais soltos. Ele variou o ritmo, subindo a vibração, descendo, deixando a cabeça flexível se moldar ao corpo dela, e Lara sentiu o prazer crescendo em ondas, cada uma mais alta que a anterior. As pernas começaram a tremer, os dedos dos pés se curvaram, a respiração falhou.
— Pedro, eu vou...
Ele manteve o movimento, firme, constante, e o orgasmo veio como uma queda: o corpo inteiro se contraiu e depois se soltou, num grito rouco que ela não tentou segurar. Ele a acompanhou até o fim, devagar, e só desligou a varinha quando os tremores passaram e ela amoleceu na cama, ofegante, com um sorriso bobo.
Pedro soltou as tiras e beijou a marca leve nos pulsos dela.
— Tudo bem?
— Mais que bem — ela respondeu, ainda sem fôlego. — Agora é minha vez.
Ela se levantou com um brilho novo no olhar, empurrou Pedro de costas na cama e tirou a roupa dele com pressa. Ele já estava duro, e ela passou a mão pelo comprimento, devagar, ouvindo-o prender a respiração.
— Me dá isso aqui — pediu, pegando a varinha.
Lara se ajoelhou entre as pernas dele e ligou o aparelho. Antes de usar nele, beijou a parte interna das coxas, o quadril, a barriga, até ele se remexer de ansiedade. Então o tomou na boca, devagar, os lábios molhados, a língua em movimentos lentos, e Pedro soltou um gemido fundo, a cabeça afundando no travesseiro.
— Lara...
Ela sorriu, sem parar, e levou a cabeça da varinha ao escroto dele. Pedro estremeceu inteiro.
A vibração o pegou de um jeito que ele não esperava: profunda, constante, espalhando-se pelo quadril, pelas coxas, pela base da coluna, enquanto a boca dela continuava, quente e macia. Duas sensações ao mesmo tempo, uma que o acendia e outra que o fazia tremer. Ele agarrou o lençol com as duas mãos, e os gemidos vieram sem controle, graves, entrecortados.
— Meu Deus... não para...
Lara ouvia cada som e se alimentava dele. Aumentou o ritmo, mais fundo, depois mais lento, para segurá-lo na beira. Sentia o corpo dele ficando tenso, o quadril erguendo, as pernas endurecendo. Ele estava inteiro nas mãos dela, e ela adorava isso.
— Lara, se continuar assim eu não aguento...
Ela se afastou devagar, com a boca brilhando, e subiu sobre ele, ainda com a varinha ligada na mão. Encostou a vibração de leve entre os dois, onde os corpos se encontravam, e o contato fez os dois gemerem juntos. Ela o guiou para dentro de si devagar, sentindo-o preencher cada pedaço, e a vibração se espalhou pelos dois ao mesmo tempo.
Pedro agarrou o quadril dela, e eles se moveram juntos, num ritmo que foi crescendo sem pressa, ofegantes, olhos nos olhos. A varinha zumbia entre os corpos, e cada movimento era uma descarga que os fazia gemer mais alto. Lara se inclinou, e eles se beijaram com a boca aberta, trocando respiração, até que ela jogou a cabeça para trás e o segundo orgasmo da noite a atravessou, mais forte que o primeiro. Pedro sentiu o corpo dela se apertar em volta dele e se deixou ir junto, num gemido rouco, com o rosto escondido no pescoço dela.
Ficaram assim por um tempo, suados, colados, o coração dele batendo contra o dela. A chuva continuava lá fora. Lara desligou a varinha e a deixou de lado, rindo baixinho.
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